Uma vitória da – e pra – galera

Não adianta querer negar o passado. “Eterno Série C” sim, e vai ter que ouvir “time do tapetão” enquanto não pagar a Segundona que deve desde 2000. (Montagem: Silvio Ferreira)

Mais de 20 mil pessoas em São Januário. Provocação antes, durante e depois do jogo. Tudo do jeito que tem que ser. Mostrando que o território tem dono. E que ninguém vai ter vida fácil no nosso caldeirão.

Nosso ônibus teve um “pobreminha” a caminho da partida, mas descolamos um bacalhau que é dono de frota de táxis e convocou a turma toda para levar o escrete à colina histórica. No embalo do eterno hit da senhora Luciano Huck, chegamos a tempo de evitar o W.O. para o time com o departamento jurídico mais competente dentre todos do futebol brasileiro.

Hoje foi um daqueles jogos que agradam qualquer torcedor. Não faltou empenho em momento nenhum e fomos para o intervalo já na frente do marcador, graças a mais um gol fruto do oportunismo de Luis Fabiano. Desta vez, foi de cabeça, sem chances para o Diego Cavalieri. Aos poucos, nosso centroavante vai voltando à velha forma e fazendo o que dele se espera.

E se o primeiro tempo foi “Fabuloso”, o início do segundo – com o perdão do trocadilho ruim – foi “cabuloso”. Meu primo Henrique provou que não quer ganhar presente meu no natal deste ano e quebrou a espinha do Martín Silva em duas cobranças de pênalti daquelas de manual, aos 13 e aos 19 minutos. Se a segunda penalidade foi indiscutível, numa infantilidade sem tamanho do lateral Gilberto, o mesmo não pode ser dito da primeira: revi o lance várias vezes e por todos os ângulos possíveis e o braço do Jean estava colado ao corpo.

Sorte nossa que o Milton Mendes tinha uma carta na manga. A carta era o Manga. O baixinho colombiano incendiou a partida e, no pouco tempo que esteve em campo, provou que tem que tomar a vaga do Kelvin no time titular. Foi toda dele a jogadaça do gol de empate, aos 29 minutos, com uma finalização cruzada indefensável. E também foi ele quem iniciou o lance que garantiu nossa segunda vitória no campeonato, aos 47, quando o empate já parecia líquido e certo. Quis o destino que a bola se oferecesse justamente ao Nenê, nosso principal jogador nas últimas duas temporadas e que não vinha rendendo nada este ano, tanto que foi parar no banco de reservas.

Ele estava envergando a camisa 20, mas concluiu com a categoria do 10 que sempre foi. E foi para os braços do povo sofrido que tanto o respeita e venera. E que sabe que ele vai voltar ao time titular loguinho. Que jogo! Que vitória! Que redenção! Que enredo fantástico!

Estamos ainda no início do campeonato e qualquer prognóstico em relação ao que vai acontecer ao longo das próximas 35 rodadas seria ingênuo e inoportuno. O que já dá para garantir desde agora é que, se continuar jogando com este espírito, o Vasco vai sim brigar na parte de cima da tabela.

Paradoxalmente, a triste realidade dos últimos anos e a eliminação precoce na Copa do Brasil nos colocaram numa situação confortável em relação à maioria dos rivais: temos apenas o Brasileirão para disputar nesta temporada e podemos ir com força máxima para todos os jogos, sem necessidade de poupar atletas visando a outras competições.

O adversário da próxima rodada é mais uma pedreira que vem bem no campeonato, o Grêmio, e na Arena. Jogo para provar que aprendemos a lição imposta pelo Palmeiras na estreia e “fecharmos a casinha” para voltarmos com pelo menos um pontinho na bagagem. Desta vez, contamos com uma dupla de zaga muito mais confiável e podemos aproveitar o fato dos gaúchos virem com o time mais cansado, pois decidem a vaga na Copa do Brasil contra o Fluminense no meio de semana. O favoritismo é deles, mas temos plenas condições de aprontar mais uma vez.

 

#SOLADADOBACALHAU: tinha combinado de assistir ao jogo com o amigo e colega de Resenha José Amaral Neto, mas ele misteriosamente desapareceu na tarde de hoje, não atendendo as minhas ligações nem respondendo às mensagens que enviei via Facebook e WhatsApp; o tricolor amarelou; só porque eu acabei de voltar da Segunda Divisão, não quer dizer que vim pra buscá-lo, pô?! Mas se finalmente ele quiser pagar esta velha conta, eu deixo…

 

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Maria Marques

Apaixonada pelo Cruzeiro desde criança, quando assistia aos jogos sentada ao chão junto ao meu pai que me ensinou a vibrar, xingar, reclamar, desistir, retornar, defender e atacar. Pra mim "Existe um grande clube na cidade​/que mora dentro do meu coração​/eu vivo cheio de vaidade​/pois na realidade é um grande campeão​"!