Meninos, eu vi!

Imagem: divulgação do filme “O Homem do Futuro” (Paramount Pictures/2011)

Que tarde, amigos! Definitivamente, este domingo, 3 de dezembro de 2017, dificilmente será esquecido pelos torcedores brasileiros que amam e acompanham o esporte mais popular do planeta. Os resultados da última rodada da Série A do Brasileirão, que provocaram tantas lágrimas felizes e outras tantas de desespero em estádios, residências e bares espalhados pelo país, serviram para reforçar aquela lição que todo mundo está cansado de saber, mas a maioria não gosta de praticar: cantar vitória antes da hora não é nada inteligente. E dá uma zica danada!

O Corinthians que o diga. Time com uma campanha irrepreensível no primeiro turno, com invencibilidade e impressionantes 47 pontos conquistados nos 19 jogos, os alvinegros tiveram um duro choque de realidade e despencaram de rendimento na segunda metade do campeonato. Com isso, viram escorregar de suas mãos uma taça que até a 27ª rodada – quando administrava uma vantagem de 10 pontos para o pelotão de perseguidores – era tida como certa. A maldição lançada pelos rivais desde que Jô usou o braço para marcar o gol solitário da vitória contra o Vasco, na 24ª rodada, falou mais alto e, desde então, nenhum assoprador de apito teve coragem de dar aquela forcinha habitual e sempre negada pelo tal “bando de loucos”. Foi um desfalque pesado demais para o inexperiente Fábio Carille.

Começando a rodada final com apenas um ponto de vantagem sobre o Palmeiras e tendo que enfrentar um rival que precisava vencer para escapar de vez do fantasma do rebaixamento, a partida contra o Sport, em Recife, marcou uma redenção histórica de Diego Souza. Idolatrado pelos corintianos desde 23 de maio de 2012, quando não conseguiu vencer Cássio no contragolpe fulminante que tinha tudo para valer a classificação do Vasco para as semifinais da Libertadores daquele ano, coube justamente ao camisa 87 do rubro-negro pernambucano a missão de encarar novamente o grandalhão da camisa amarela. Desta vez, a disputa foi na marca da cal e as pernas do atacante não tremeram. Muito pelo contrário, o chute foi tão forte, que a bola até furou a rede!

Festa e alívio para a maior parte do público que lotou a Ilha do Retiro e euforia ainda maior na Arena da Baixada, com palmeirenses e atleticanos festejando lado a lado o empate sem gols que garantiu o objetivo de ambos: o bicampeonato do Verdão – empatado com o Corinthians em pontos, mas à frente no número de vitórias – e a permanência do Furacão na elite do futebol brasileiro.

O campeonato com o enredo mais maluco desde que começou a era dos pontos corridos terminou com apenas um desfecho previsível há muito tempo: os rebaixamentos de Atlético-GO e Ponte Preta. As outras duas vagas indesejadas para a Série B foram definidas apenas hoje e caíram no colo de Coritiba e – quem diria? – do filho pródigo Fluminense, que gastou tanta energia na campanha do vice-campeonato da Sul-Americana, que acabou tendo que amargar mais um descenso. Procurada pelo Mural do Fuzarqueiro, a Assessoria de Imprensa do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) declarou que está ciente da movimentação do Departamento Jurídico do Tricolor das Laranjeiras, na tentativa de virar a mesa mais uma vez, honrando as tradições do clube. “Nosso órgão entende o desespero dos representantes do Fluminense, porém desta vez não podemos fazer nada e a conta da Série B precisará ser quitada em 2018”, diz um trecho da nota, enviada a esta equipe de um homem só.

Na parte de cima da tabela, quem também comemora são as torcidas dos demais classificados à Libertadores: Santos, Botafogo, Atlético-MG e São Paulo, este após uma arrancada impressionante no segundo turno e aproveitando a apatia que se abateu sobre o Vasco – após a nova reeleição do ditador Eurico Miranda – e o Grêmio – que, de tanto focar na Libertadores, esqueceu de jogar no Brasileirão; e acabou “tendo que chupar os dedos” nas duas competições.

Velhos rivais e protagonistas da partida com as cenas mais feias deste campeonato, Flamengo e Vasco se despedem melancolicamente. Enquanto o time de São Januário cumpriu o seu objetivo principal, que era a manutenção na 1ª Divisão, mas poderia ter se saído bem melhor na tabela, caso não abusasse dos empates em partidas nas quais cansou de desperdiçar chances de garantir os 3 pontos, mais feio ainda fez o badalado rubro-negro carioca, repleto de estrelas milionárias no elenco e fechando o ano sem sequer a vaguinha para a disputa da Libertadores 2018. Em outras palavras: não deu nem pro cheiro!

E assim fechamos a temporada de bola rolando, mas não a das resenhas. Estas seguirão ainda mais fortes neste período de recesso. Tudo regado a uma boa cervejinha gelada e ao clima de camaradagem que sempre reina entre amigos de verdade. Que venha um 2018 ainda mais loko!!!

 

#SOLADADOBACALHAU: este texto é uma obra de ficção e o seu autor adianta que adorará queimar a língua em algumas de suas previsões, sobretudo na mais catastrófica de todas, a sobre a manutenção da ditadura mirandista em São Januário; algo, porém, que ele interpreta como um sonho difícil de ser realizado, pois, faltando poucos dias para a votação, os grupos que se dizem oposicionistas estão dando um show de vaidades e facilitando demais as coisas para o “tiozão do charutão”…

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